sábado, 18 de julho de 2009

Hoje há crítica

As confissões de um solteirão abnegado

Este é o quarto registo de originais de Patrick Wolf e o mesmo afigura não só um dos momentos-chave de uma das carreiras com menos tiros ao lado - já passível de alguma influência - desta década quase a findar, para alguém com a tenra idade de 25 anos, como é aprimorado com o inédito controlo das rédeas do seu material e com retorno ao livre circuito da música independente ao ser lançado com o selo da Bloody Chamber Music.

A julgar pelo título e pelo aperitivo do sinistro "Vulture" (cujos resquícios de uma "carne morta" são indissociáveis da imagem de um Steve Strange), ficamos com a falsa, ainda que entusiasmante, ideia de que The Bachelor não é mais do que um inventário monotóno de confissões de um solteiro abnegado adereçado por um arsenal de artifícios de um digital hardcore. Porém, tal preconceito desmistifica-se com o requinte e a sensibilidade rara a um nível lírico (tome-se "Blackdown" e "The Sun Is Often Out" como paradigmas) e com a magistralidade de arranjos resultantes de um já habitual cruzamento entre os flancos popular e erudito da música contemporânea, como só Wolf parece saber desafiar (ouvir o teor político de "Hard Times" e de "Battle" para o efeito). Deste modo, o preconceito passou a ser ressarcido.

Pertencente a uma duologia, da qual um segundo tomo irá ser lançado no ano que vem, este The Bachelor pode ser assumido, em jeito de retrospectiva, como uma convergência dos elementos apregoados no âmago dos seus antecessores: vai buscar os uivos electrónicos de Lycanthropy; a folk de influência céltica de Wind in the Wires e um ligeiro travo pop de The Magic Position.

Numa análise análoga, com este recente longa-duração pode-se delinear o caminho biográfico trilhado por Patrick Wolf: no primeiro álbum, com 19 anos, está entre o ensaio e o erro, perdido, longe de casa e à procura de um sentido à sua existência ao passo que no segundo vai desbravando terreno, tentando encontrar o querido lar ao mesmo tempo que vai vivendo fábulas e parábolas; chegado ao terceiro, algo familiar está cada vez mais perto, mas incertezas corroem-lhe a alma enquanto que aqui chega finalmente em casa e despede-se de uma timidez castradora! Se o adjectivo épico for permitido, então que lhe seja rotulado merecidamente.

1 comentário:

  1. Abnegação: s. f. desapego; altruísmo; renúncia. Ok, agora já posso comentar. Para começar, a capa parece-me uma mistura de Transformers com um passeio na floresta assombrada. Depois, não sei muito mais sobre esse rapazola. Prometo que o próximo álbum a explorar no que toca à minha pessoa será esse Solteirão.

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