sábado, 18 de julho de 2009

Hoje há indignação

Voltamos a 2006 ou aos anos 80?
Ontem foi descaradamente assumido por um porta-voz do Ministério da Sáude que o Instituto Português do Sangue (IPS) exclui os homens que tenham ou mantenham relações homossexuais como dadores, confirmado horas mais tarde pelo próprio IPS. Os motivos levantados, «comprovados cientificamente», andam em torno da maior probabilidade de comportamentos de risco neste grupo comprometendo, através da transfusão de sangue, a qualidade do mesmo. Mesmo assim, Gabirel Olim, deixa salliente de que não se trata de um a forma de discriminação, sustentando que as mulheres que tenham ou mantenham relações sexuais com outras mulheres podem fazê-lo.
Caros Gabirel Olim e Ana Jorge, excluir e/ou fazer uma selecção de um grupo de pessoas é discriminar - favor de consultar o dicionário para dúvidas detalhadas. Só o argumento que as lésbicas têm esse direito entra em choque com as leis da coerência, isto é, ridicularizaram ainda mais a vossa tese.
Dentro dos limites do meu conhecimento, ainda se fazem testes clínicos prévios antes da doação ou será este um novo mecanismo para saltar tal procedimento decisivo como forma de contenção de despesa pública? Ou também partem do "príncipio" que dadores que declarem ter-se envolvido sexualmente com o sexo oposto não têm comportamentos de risco? Ou pior: que se auto-proclamem hetereossexuais e mantenham as relações supracitadas? Será o sangue dos homossexuais masculinos espanhóis ou suíços diferente do dos portugueses? Mas agora vamos imitar as práticas desprovidas de sentido semelhantes às dos E.U.A., Reino Unido ou Canadá em função de quem dá do que é dado? Felizmente, organismos iluminados e verdadeiramente conhecedores de factos científicos como a Coordenação para a Infecção do Vírus VIH/SIDA e a Comissão Europeia já se fizeram ouvir. Igual louvar vai para, entre outras. a reacção da ILGA Portugal, que zela pelos direitos LGBTQ no nosso país, e do SOS Racismo.
Voltamos a 2006, ou pior, segundos os argumentos de Olim, aos anos 80, é isso? Isto tudo cheira-me a muita crendice e pouca ciência, meus senhores, e, logo, para além de não ser este o caminho a fazer para zelar pelo bem-estar dos receptores, prefaz, no geral, um atentado à dignidade humana e à nossa Constituição de traços democráticos e um atirar de achas para a fogueira do estigma passadista do "homossexualseropositivismo", bem como uma humilhação para com quem é diferente e um insulto à inteligência de todos, de qualquer orientação sexual, no particular. Como homossexual (saudável e, curiosamente, sem comportamentos de risco), exijo um pedido de desculpas!

1 comentário:

  1. Ainda vindo de pessoas "da medicina", que no fundo deviam olhar para os factos ou investigar antes de abrirem a boca.
    Trabalhar na área da medicina (e ainda por cima nos mais altos cargos) não é só dar uma entrevista por dia a dizer quantas pessoas andam a tomar Tamiflu, é também acabar com preconceitos e alarmismos.
    Resumindo: andam a perder-se litros de sangue perfeitamente válidos quando morrem pessoas nos hospitais.

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