segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Hoje há crítica

Pequeno diário colegial

É ponto assente que eclodiram no ano passado, mas acabei por ignóra-los plenamente (à excepção de burburinho acerca do jogo fonético que adorna o seu nome). Quiçá muito por causa do pedestal ganho pelos Vampire Weekend com a sua jóia homónima de 2008. No entanto, há espaço para as duas bandas até porque, os Ra Ra Riot, ainda que perfilando as mesmas orientações, conseguem ser meritoriamente estimulantes.
Quando afirmo haver semelhanças descaradas entre Ra Ra Riot e Vampire Weekend, faço-o por ser um facto inevitável. Senão vejamos: ambos acusam origens de estudantes de carinhas larocas, de visual "limpinho", vindos das mais prestigiadas universidades de Nova Iorque (vá lá, a Universidade de Syracuse não é membro da Ivy League), ganharam a primeira atenção no seus campuses e circuitos relacionados e apresentam uma reinvenção prodigiosa no pop/rock mais independente. No entanto, há um limiar de distinção: se no caso do quarteto de Columbia a híbrida influência africana e clássica incitava o motor de interesse, nos Ra Ra Riot são os violino e o violencelo (entregues nas mãos nos únicos elementos femininos do colectivo) que cunham a diferença no seu álbum de estreia, The Rhumb Line.
Para além da componente instrumental brilhantemente patente, a acresentar à tal singularidade estão as histórias de uma puberdade tardia que, preconceituosamente, podia ser censurada, mas quando se revela ingénua e igualmente adorável, o caso muda de figura. A falta de auto-confiança e inexperiência individuais colidem com mil e um desvarios amorosos em "Can You Tell", "Too Too Fast" e em "Oh, La". Já o esplêndido momento de "Dying Is Fine" debruça-se especialmente sobre um reflexão existencial crucial. Estão, então, reunidas as condições para uma audição aprazível.
Lançado pela mesma editora de Death Cab for Cutie e They Might Be Giants, a Barsuk Records, The Rumby Line não é um álbum que se escute de fio a pavio. No entanto, são passagens como as destacadas que fazem dele um aperitivo imenso para àquilo que há-de vir deste promissor quinteto nova-iorquino.

1 comentário:

  1. Eu ainda não passei do tal jogo fonético de Ra Ra Riot e de umas breves passagens no Late Night Show.
    Obrigado por mais uma sugestão, vou sacá-lo à primeira oportunidade.

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