
Enquanto o Morakot move vales e montanhas e, por extensão, devasta lares e até vilas inteiras num foco não muito além do sudeste asiático, Portugal invoca a triste lamúria de uns, embora acima de média, 40º C de temperatura máxima como principal factor do cariz insuportável de mais um Verão;
Enquanto uma série de conflitos civis assola o sul do Sudão (de dia para dia, à luz de episódios de assinalável progresso, considero a inclusão de tão virtuosa nação na minha lista de principais destinos de eleição!), Portugal não conta no seu calendário um banho de sangue à escala nacional há quase 60 anos - nem mesmo em 1974, onde os cravos tomaram esse lugar - em vez disso, prefere pôr na linha da frente preocupações como pseudo rebeldias do lado negro da Força;
Equanto novos surtos de fome e desnutrição ceifam vidas, só por si, carenciadas, no Terceiro Mundo, Portugal isola-se na sua zona de conforto à espera que a, embora pandémica, estirpe H1N1 de um vírus gripal confirme, de facto, a sua natureza sazonal.
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Obviamente que cada país tem os seus problemas, e jamais querer dar entender uma posição antipatriótica - muito pelo contrário: patriótico é aquele que consegue ver que a sua nação, afinal, também tem defeitos. Porém, se cada alminha lusitana lesse o sermão de Saint-Exupery, talvez um novo valor fosse massificado.

É, aqui é assim.
ResponderEliminarA segunda parte dos telejornais nem é preciso ver, é sobre o estrangeiro, o que é que interessa?