segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Hoje há reflexão

Religiosidade beata - Parte I

Este fim-de-semana estive em Peniche, aldeia pescatória de longas praias propícias à prática de surf, cuja única atracção turística talvez seja o forte onde uma célebre fuga de presos políticos (entre os quais, Mário Soares) ocorreu ainda no regime do Estado Novo. No entanto, feiras de cariz duvidoso, onde a mão-de-obra infantil explícita mas abafada prolifera (claro que a presença de autoridades policiais é só para dar um ar de graça, caso contrário António José Correia não podia contar com mais uns lucros à sua autarquia) e o mau gosto tresanda - desde as personalizadas pinturas manuais dos carrosseis até às peças de vestuário fluo-prateadas vendidas a preço de pão -, é que fazem as delícias tanto de estrangeiros como de locais. Mas onde quero chegar é até ao motivo (?) da mesma: a celebração da devoção à santa padroeira, Nossa Senhora da Boa Viagem, qual Panateneias do Mundo contemporâneo.
Nela incluem-se uma procissão que muito antes de esta ainda ir no adro, já os seus crentes ou meros fascinados (tudo depende do seu grau de convicção, claro está) fervilham de excitação, tentando encontrar uma pontualidade, que nunca descuraram em relação ao próprio emprego. quanto ao seu inicio. Depois, vêm a assistência ajustada ao seu silêncio máximo em respeito a tamanho símbolo de terracota por desfilar as ruas profanas da cidade, e a retribuição feita em dinheiro com a certeza de que "Nossa Senhora nos vai ajudar". No fim, houve tempo ainda para um arrebanhar de uns ramos de alfazema como nova alternativa ao espanta-demónios. Obviamente, eu fui a primeira cobaia.
Quanto a mim, ainda recebi uns olhares de reprovação subtis que, ironicamente, foram contrastados com a minha hemorragia intelectual e melífluo controlo da parte crítica em respeito pelos credos que me escapam, por mais que tais não tenham sido entranhados por convicção própria. Ainda assim, pergunto: será que o bilhete do agora museu do forte custaria mais de €3?

1 comentário:

  1. Pronto, agora foi-se meter com a religião. Se os sacerdotes e arcebispos te apanham não há fuga possível.

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