Mais uma vez, a sociedade é quem manda nos meus comportamentos. Ainda que absorto na minha maior ingenuidade de que dois homens se podem relacionar a um nível íntimo sem se apaixonar e/ou desafogar-se desenfreadamente, ganhei a noção que de havia, de facto, nome e ênfase para este novo (?) "fenómeno sociológico" depois do caso Bronnie do reality show americano Make Me a Supermodel. Chamam-lhe bromance. 
A ideia de bromance não é mais do que uma concepção prevísivel e sordidamente frívola vinda do país que vem; sem dúvidas de gente que é incapaz de conceber uma visão da vida sem a bela da etiqueta. Provando, assim, como a sociedade ocidental entra em colisão com aquilo que cospe levianamente e o modelo social patriarcal e sexista obsoleto que insiste em cursar. Isto significa que quatro décadas após as revoluções sexuais que mais saudade deixam surtiram o seu efeito somente a curto prazo.
Tudo isto leva-me a crer que os homens devem reprimir qualquer espécie de carinho, ternura, afecto ou outro sentimento senão aquele coadunado ao seu papel de género, isto é, "que não é de homem" como diria a dupla de panisgas. Ficando, assim, o privilégio confinado às senhoritas. Por isso é que ninguém se espanta quando duas mulheres dançam uma com a outra ou vão à casa-de-banho pôr o escárnio e mal-dizer em dia e já se escandaliza na eventualidade de uma outra ameaçar o marido, pai, irmão, vizinho ou desconhecido de um valente enxerto. Excluíndo a óbvia dica de sapatona, o "lésbica!" só vem depois, com o beijo na boca.

É um conceito novo, esse bromance. Mas não me parece que a sociedade condenasse um abraço entre dois homens (desde que fosse a ver um jogo de futebol ou um concerto dos KISS).
ResponderEliminarAinda não consegui ver esse I Love You, Man...