segunda-feira, 27 de julho de 2009

Hoje há crítica

Lisboa, menina e moça... macaca!

Vêm da Amadora (concretamente da freguesia da Reboleira) e trazem na bagagem, recheada de mesas de misturas e drum machines, uma lufada de ar fresco no panorama há muito saturado do hip hop nacional, acusando ainda influências de grime britânico e de um dubstep jamaicano. Decidiram dar-se a conhcer pelo nome de Macacos do Chinês e vieram contribuir para um novíssimo entusiasmo na velha arte do barulho, com o seu primeiro longa-duração, Ruídos Reais.

Laconicamente, as doze faixas que compreendem o álbum justificam na plenitude a classificação introdutória, pois se, por um lado há proficiência do compasso das batidas tradicionalmente do género em causa, a isso há o encontro harmonioso com as melodias mais inesperadas - sejam elas conferidas por guitarras portuguesas ("Rolling na Reboleira") ou estimuladas por samples de conhecidos adágios populares ("Machadinha"). Com isto, tornar-se-ia injusto se um crédito apreciado à componente hiperactivamente dançável estivesse a ser ignorada - "Fala Bem", uma jeitosa colaboração com Kalaf, dos Buraka Som Sistema, é o expoente máximo.

Contudo, o conceito do colectivo apresenta-se renovador, mas não revolucionário (nada de censurável, atenção; também não vamos agora exigir em demasia), uma vez que o grande trunfo do hip hop continua a ser a palavra e aqui os quatro rapazes são acutilantes e irónicos, na sua estética, e engenhosos e deliberados, na sua forma. Prova clara disso, sem querer mais entrar em enfadonhos argumentos de lógica, é a valente tirada de «Há cada vez mais artistas e cada vez menos obras de arte» de "Inspiração". No que toca a "Pombos Gordos", permitam-me o epíteto de "o mais divertido fechar da cortina de um álbum de estreia" que alguma vez tive oportunidade de testemunhar.

Se em 2008, Black Diamond reconfirmou o lugar ao sol dos Buraka Som Sistema, este Ruídos Reais, com o carimbo da Enchufada, consolidam a brincadeira de crianças dos Macacos do Chinês, depois do seu primeiríssimo EP, de seu nome Plutão. Digam o que disserem relativamente à semelhança de timbre entre Skillaz e Pacman, estes meninos já conseguiram transcender o impacto que qualquer álbum dos Da Weasel possa vir a ter na minha humilde pessoa.

1 comentário:

  1. Wow, o Elogio está diferente...

    Não me cativou muito. Dou-lhes mérito pelos sons novos introduzidos e pelo refrescante mundo novo hip hopiano trazido por estes símios, tenho a certeza que serão uma das melhores bandas do "hip hop tuga", mas, ainda assim, não se me entra.

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