Há filmes que nos escravizam a mente de modo inquietante. No caso particular de Coisa Ruim, graças ao seu tratamento cuidado dos momentos de uma família comum num ambiente que lhes é estranho, tal fenómeno é alcançado através de uma injecção insolente de circunspeção quando já tinhamos como garantido tudo aquilo que de metafísico nos rodeia. A sua dupla de realização, Tiago Guedes e Frederico Serra, decide produzir o efeito dramático do argumento de José Rodrigues dos Santos (sim, o pivô de telejornal) apoiando-se num método de suspense do maior primor.
A todo este desmontar de acção riquissimo - no qual nem a influência a O Exorcista, assente no paralelismo do padre velho e obtuso e o padre novo e receptivo, foi dispensada -, coube não só a um elenco igualmente rico dar o corpo ao manifesto (desde um inflexível Xavier de António Luz até uma hesitante Helena de Manuela Couto - sem jamais olvidar o trabalho premiado de José Afonso Pimentel, claro está!) como também o recurso à naturalidade e espontaneidade técnica na arte de assutar, primando maquilhagem e guarda-roupa realistas à facilidade dos artificios sonoros e do gore desnecessário. Classe.

O primeiro filme de terror português é algo para festejar. Ainda por cima aborda os medos e superstições típicos dos meios pequenos. Suficiente para uma noite de pesadelos.
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