Ele é Little Boots, ele é Frankmusik, ele é Dan Black... Ultimamente têm-se registado uma onda revivalista do que melhor se fez na esfera da pop electrónica oitentista. Ou melhor, daquilo que definiu, aos ouvidos do grande público, a década musicalmente. Ora, se desde 2007 nomes emergentes orientavam tamanha influência para outros espectros, tornando a natureza da sonoridade mais actual - entre inspiração grime e urumee (M.I.A.), funk (Sam Sparro) e electroclash (Yelle, Peaches), o leque de escolha foi sortido -, em 2009 parece haver uma fidelidade purista ao legado do synth pop. La Roux é um exemplo assaz ilustrativo e a sua estreia homónima é factor sintomático.
Elly Jackson é o rosto da dupla britânica (a outra metade, oculta, é Ben Langmaid), cuja estética e forma tiveram origem veemente na própria. Uma concepção visual irreverente que, ironicamente, já entrou em processo de banalização, mas que, ainda assim, se dá a abébia à peculiaridade capilar que deu nome à banda. A juntar-lhes a isso, tem-se uma pop orelhuda, colorida e buliçosa, incorpada num um sem-número de efeitos mirabolantes desse intrumento que deu o cognome de "pais" aos Kraftwerk - o sintetizador. As pegadas deixadas pelos Human League, Blancmange, Soft Cell e até mesmo Heaven 17 manifestam a sua continuidade em faixas tão pândegas como "In for the Kill" e "As If By Magic". Semelhante cunho acha-se na ferverosa mensagem de "I'm Not Your Toy" e ainda na contagiante "Bulletproof", acabadinha de sair do universo dos jogos de Arcade. Recentemente nomeado para o prestigiado Mercury Prize deste ano, La Roux, que tem a chancela da Polydor, é um longa-duração que sabe a Verão e, como tal, prontissimo para celebrá-lo nas pistas de dança, em alternativa estupenda aos êxitos inclassificáveis daqueles que julgam que é só pegar na amiga de Beyoncé Knowles e vamos lá ensaiar batidas em laboratório. Não esquecer: é para dançar como forma de expressão corporal, não causar impressão estrebuchando...
Acho que dessa ruiva acabada de sair de um anúncio da L'Oréal não me convences. O meu limite fica nos Pet Shop Boys.
ResponderEliminar