Quem é que, depois de uma onda avassaladora de promoção - onde uma pluralidade de versões de cartazes se destaca - e de incontáveis boas impressões a despeito, se digna a não ficar expectante relativamente a um filme? Foi o que aconteceu comigo e o novo Inglorious Basterds (Sacanas sem Lei). Para cúmulo da ansiedade, surgiu como contributo a conotação de um exercício cinematográfico inspirado num spaghetti western subjugado à iconografia da 2.ª Guerra Mundial... dirigido por Quentin Tarantino! Saliente-se que a curta, mas indubitavelmente já icónica, filmografia do realizador americano não é obstante ao seu lugar reservado de um dos mais prestigiados e este seu sexto projecto veio confirmar o seu estatuto de obra-prima.
Inglorious Basterds vive de um trabalho de narrativa e da tensão soberba de que dele origina. Fazem parte dela, diálogos carimbados pelo humor corrosivo (e muitas das vezes macabro) que colidem coerentemente com uma misce-en-scène certeira - a sequência em que o clássico "Cat People (Putting Out Fire)" do senhor Bowie serve de banda-sonora aos preparativos do plano vingativo de queimar bobinas de fita de nitrato camuflado numa estreia de um filme da Propaganda Nazi assenta que nem uma luva - e assim nasce um leque de cenas à espera do seu epíteto de "clássicas" num futuro próximo. Tudo isto consumado, parto de um atrevimento ressaltar a linearidade do guião com tanta tendência climática despida, pouco habitual no estilo de Tarantino, mas nem por sombras menor.
A fechar em beleza, cabem uns quantos elogios a um elenco esmerado: Daniel Brühl procurou uma ambivalência de um apaixonado obsessivo ao passo que Mélanie Laurent revela a verdadeira crueza de uma vingança sem precedentes. Todavia, e ainda que Brad Pitt continue no comando do protagonismo, Christoph Waltz rouba toda a glória possível e imaginável com o seu desempenho rigoroso de uma personagem intrinsecamente fascinante e, por isso, algo desafiante na sua interpretação - o Oficial das SS, Coronel Hans Landa, ou como os sacanas se orgulham de o apelidar, o "Caçador de Judeus". Conforme introduzido e apreciado na derradeira fala de Aldo Raine: "I think this might be my masterpiece" quando este deixa a sua marca eternizante na testa de mais um nazi, este Inglorious Basterds consegue, de facto e aos meus humildes olhos de leigo, alcançar essa proeza - a de obra-prima. Um marco que não revolucionará o curso do cinema contemporâneo como fez Pulp Fiction em 1994 mas que fomenta muito aspirante a realizador e cimenta Tarantino no seu pedestal, por mais divididos que tanto público, crítica e envolventes directos do cinema se achem.

Elly Jackson é o rosto da dupla britânica (a outra metade, oculta, é Ben Langmaid), cuja estética e forma tiveram origem veemente na própria. Uma concepção visual irreverente que, ironicamente, já entrou em processo de banalização, mas que, ainda assim, se dá a abébia à peculiaridade capilar que deu nome à banda. A juntar-lhes a isso, tem-se uma pop orelhuda, colorida e buliçosa, incorpada num um sem-número de efeitos mirabolantes desse intrumento que deu o cognome de "pais" aos Kraftwerk - o sintetizador. As pegadas deixadas pelos Human League, Blancmange, Soft Cell e até mesmo Heaven 17 manifestam a sua continuidade em faixas tão pândegas como "In for the Kill" e "As If By Magic". Semelhante cunho acha-se na ferverosa mensagem de "I'm Not Your Toy" e ainda na contagiante "
Mais uma vez, a sociedade é quem manda nos meus comportamentos. Ainda que absorto na minha maior ingenuidade de que dois homens se podem relacionar a um nível íntimo sem se apaixonar e/ou desafogar-se desenfreadamente, ganhei a noção que de havia, de facto, nome e ênfase para este novo (?) "fenómeno sociológico" depois do caso 

É ponto assente que eclodiram no ano passado, mas acabei por ignóra-los plenamente (à excepção de burburinho acerca do jogo fonético que adorna o seu nome). Quiçá muito por causa do pedestal ganho pelos Vampire Weekend com a sua jóia homónima de 2008. No entanto, há espaço para as duas bandas até porque, os Ra Ra Riot, ainda que perfilando as mesmas orientações, conseguem ser meritoriamente estimulantes.
Para além da componente instrumental brilhantemente patente, a acresentar à tal singularidade estão as histórias de uma puberdade tardia que, preconceituosamente, podia ser censurada, mas quando se revela ingénua e igualmente adorável, o caso muda de figura. A falta de auto-confiança e inexperiência individuais colidem com mil e um desvarios amorosos em "Can You Tell", "Too Too Fast" e em "Oh, La". Já o esplêndido momento de "